Quem de nós
nunca parou pra se perguntar o porquê de tantos caminhos trilhados,de tantas
decisões que foram adiadas sem necessidade,de tantas incertezas temendo as
próprias certezas.
Quem de nós
nunca abriu a boca pra dizer eu te amo sem saber ao certo se era isso mesmo,ou eu te
odeio pra parecer alheio a tudo,inclusive ao coração.
Já vivi
momentos em que o coração se calava,mas também houveram tempos em que ele
gritava.
Gritava de
dor,berrava de desespero,falava de amor,chorava de saudades.
Saudades dos
tempos de escola onde a galera se reunia pra tocar legião urbana;
Saudades das
vezes que ganhava um beijo no rosto do garoto mais cobiçado da rua;
Saudades das
amigas que prometeram nunca te abandonar,
e que te abandonaram ;
Saudades das
aulas de história com aquela professora que parecia adivinhar os teus
planos,conhecer os teus segredos,curar os teus males...Que conhecia o teu
brilho no olho....
E hoje vêm
aquela famosa frase que diz: É, EU ERA FELIZ E NÃO SABIA!
Mas sabia
sim,tanto que quase morria de dar gargalhadas,que o tempo parecia que não
passava.
E os
amores?Ah os amores eram uma loucura!
Fazíamos
juras de amor eterno,e não nos julgávamos capazes de sobreviver sem o outro.Não
durava uma semana e lá estávamos de novo suspirando por outro garoto. rsrsrsr
Engraçado!
É engraçado
como tudo tinha que ser de imediato,como as horas custavam a passar quando
tínhamos problemas.
Problemas
pra saber como iria fazer pra colar na prova de matemática,já que o professor
ficava de olho em você. . Aí a gente pára pra ver os problemas de hoje e ri
dessas bobagens que eram tão importantes.
E ao mesmo
tempo nos sentimos orgulhosos e sábios por tantos momentos vividos e
sobrevividos.
É quando
também paramos pra lembrar dos gritos de liberdade que tivemos a ousadia de dar
pra que nos deixassem escolher nossos caminhos.
Porque
nossos pais queriam que fôssemos doutores e não, a gente queria era só ganhar
dinheiro com aquilo que a gente gostava .
Uns gostavam
de jogar bola,outras de escrever poesia,outros ainda não sabiam do quê
gostavam.
Lembramos de
quando saímos de casa e deixamos nossa mãe chorando na porta pedindo pra gente
ficar porque o mundo lá fora era perigoso demais e não saberíamos nos defender.
E mesmo
assim com os olhos transbordando de tanto chorar abrimos as portas do destino e
demos a cara á tapa .
E apanhamos
mesmo!
Aí vêm a
lembrança daquele amor por quem você jurou viver pela vida inteira,e fez
planos,projetou a casa no alto das colinas,escolheu o nome dos futuros filhos e
viu todos aqueles sonhos escaparem por entre as mãos e você sem poder fazer
nada.
Como
assim,porque não lutei por meus sonhos?
Porque me
deixei sofrer tanto a ponto de perder minha identidade,a ponto de não pregar o
olho por diversas noites,e de fazer do travesseiro o ombro amigo nas horas que
o peito não agüentava mais de tanta saudade.
E quando
sorria para as pessoas fingindo estar feliz,quando na verdade era a pessoa mais
sozinha do planeta.
Mas graças a
Deus aquele tormento passou,porque nada que o tempo não cure.
Daí quando
você pára no seu escritório e relembra todos esses momentos de intensa emoção
que aqui foi relatado, você automaticamente estufa o peito e diz: Que orgulho!
Porque de
todas as maravilhas do mundo eu já saboriei:
A infância;
O proibido;
A liberdade;
A dor;
A saudade;
A amizade;
A dúvida;
O amor.
E diz conscientemente: Muito obrigada Senhor porque eu não passo pela vida.
EU VIVI E
VIVO A VIDA INTENSAMENTE!!
Lucinha Cavalcante...
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